quarta-feira, 12 de março de 2014

CARTA A MINHA MÃEZINHA


                Querida mãezinha,
                 Hoje, se ainda estivesses aqui, entre nós, estarias completando mais um ano de vida. Mas agora, tens a vida eterna, ou melhor,desde que saíste das mãos de Deus, nosso Pai Criador, já a possuis. Apenas ela está partilhada em várias etapas, das quais esta última, tivemos a oportunidade maravilhosa de compartilhá-la contigo.
                Deixaste imensas saudades, mas também belos ensinamentos. Tudo devo a ti do que me tornei como mulher. Passaste-me a coragem, o discernimento, a confiança em Deus e em mim mesma, a fé ativa no Bem, enfim, tudo que me incentiva a prosseguir, a não esmorecer nunca, mesmo que haja dor e sofrimento, pois aprendi contigo a superar momentos difíceis, entendendo que após a tempestade vem a bonança e que o Pai não nos desampara nunca.
                 Hoje quero dedicar o meu mais puro sentimento a ti, louvando-te, agradecendo-te e pedindo-te que intercedas por nós, que aqui ainda estamos, presos ao corpo físico, mas em contato permanente com a Espiritualidade maior.
                 Quando possas, vem até nós e faça-nos sentir a tua presença, o teu amor imortal. Cuida do nosso filho que se acha no Plano Espiritual, ofertando-lhe compreensão e paz para que ele prossiga confiante a sua trajetória evolutiva e vença toda e qualquer dificuldade que possa encontrar ao longo do seu caminho.
                 Aguardamos em trabalho produtivo no Bem o momento do nosso reencontro. Sei que será um momento muito feliz e que já estaremos numa situação bem mais favorável do que a  que vivemos atualmente, graças ao conhecimento adquirido nessa última oportunidade que tivemos juntas.
                 Viva feliz, junto a todos que te amam e foram amados por ti e que ora têm o privilégio de estarem aí, juntamente contigo.
                  Te amo muito e te amarei sempre.
                   A filha querida,
                   Marina Moreira

quarta-feira, 5 de março de 2014

A ÚNICA DÁDIVA


                      Conta-se que Simão Pedro estava cansado, depois de vinte dias junto do povo.
                      Banhara ferimentos, alimentara mulheres e crianças esquálidas,e, em vez de receber  aprovação do povo, recolhia insultos velados, aqui e ali...
                      Após três semanas de luta, fatigara-se e preferira isolar-se entre as alcaparreiras amigas.
                      Por isso, estava ele só, no crepúsculo azulado, diante das águas, a refletir...
                      Aproxima-se alguém, contudo... Por mais busque esconder-se, sente-se procurado. É o próprio Cristo.
                     _ Que fazes, Pedro? _ Diz-lhe o Senhor.
                     _ Penso, Mestre.
E o diálogo prolongou-se.
                    _ Estás triste?
                    _ Muito triste.
                    _ Por quê?
                    _ Chamam-me ladrão.
                   _ Mas, se a consciência não te acusa, que tem isso?
                   _ Sinto-me desditoso.
Em nome do amor que me ensinas, alivio os enfermos, e ajudo aos necessitados. Entretanto, injuriam-me. Dizem por aí que furto, que exploro a confiança do povo...
                  Ainda ontem, distribuía os velhos mantos que nos foram cedidos pela Casa de Carpo, entre os doentes chegados de Jope... Alegou alguém inconsideradamente, que surrupiei a maior parte... Estou exausto, Mestre. Vinte dias de multidão pesam mais que vinte anos de serviço na barca.
                 _ Pedro, que deste aos necessitados nestes vinte dias?
                 _ Moedas, túnicas, mantos, unguentos, trigo, peixes...
                 _ De onde chegaram as moedas?
                 _ Das mãos de Joana, a mulher de Cusa.
                 _As túnicas?
                 _ Da casa de Zobalan, o curtidor.
                 _ Os mantos?
                 _Da residência de Carpo, o romano que decidiu amparar-nos.
                 _ Os unguentos?
                 _ Do lar de Zebedeu, que os fabrica.
                 _ O trigo?
                 _ Da seara de Zaqueu, que se lembra de nós.
                 _ E os peixes?
                 _ Da nossa pesca.
                 _ Então, Pedro?
                 _ Que devo entender, Senhor
                _ Que apenas entregamos aquilo que nos foi ofertado para distribuirmos, em favor dos que necessitam. A Divina  Bondade conjuga as circunstâncias e confia-nos de um modo ou de outro os elementos que devamos movimentar nas obras do bem... Disseste servir em nome do amor...
                 _ Sim, Mestre.
                 _ Recorda, então que o amor não relaciona calúnias, nem conta sarcasmos.
                O discípulo, mostrando súbita renovação mental, não respondeu.
                 Jesus abraçou-o e disse apenas:
                _ Pedro, todos os bens da vida podem ser transmitidos de mão em mão...
                Ninguém pode dar esse ou aquele patrimônio do mundo senão o próprio Criador, que nos empresta recursos por Ele gerados na Criação... E se algo podemos dar de nós, o amor é a única dádiva que podemos fazer, sofrendo e renunciando por amar...
                 O apóstolo compreendeu e beijou as mãos que o tocavam de leve.
                 Em seguida, puseram-se ambos a falar  alegremente sobre as tarefas esperadas para o dia seguinte.
                                              Francisco C. Xavier- Irmão X.

domingo, 2 de março de 2014



                                                         JESUS E OS AMIGOS

                                     "Ninguém tem maior amor do que este:
                                      dar a própria vida pelos seus amigos."
                                           Jesus (João, cap 15: v.13)

                Na  localização histórica do Cristo, impressiona-nos a realidade de sua imensa afeição pela humanidade. Pelos homens,  fez tudo fez tudo que era possível em renúncia e dedicação.
                 Seus atos foram celebrados em assembléias de confraternização e de amor. Fez companhia aos publicanos, sentiu sede de perfeita compreensão entre seus discípulos. Era amigo fiel dos necessitados que se socorriam de suas virtudes imortais. Através das lições evangélicas, nota-se-lhe o esforço para ser entendido em sua infinita capacidade de amar.Lava os pés aos discípulos, ora pela felicidade de cada um...
                Entretanto, ao primeiro embate com as forças destruidoras, experimenta o Mestre o supremo abandono.Em vão seus olhos procuram os afeiçoados, beneficiados e seguidores. Os leprosos e cegos, curados por suas mãos, haviam desaparecido.
                Judas entregou-O com um beijo.
                Simão, que lhe gozara a convivência doméstica, negou-O três vezes.
                 João e Tiago dormiram no Horto.
                 Os demais preferiram estacionar em acordos apressados com as acusações injustas. Mesmo depois da ressurreição Tomé exigiu-lhe sinais.
                Quando estiveres na "porta estreita", dilatando as conquistas da vida eterna, irás também só. Não aguardes teus amigos. Não te compreenderiam; No entanto, não deixes de amá-los. São crianças. E toda criança teme e exige muito.
                                             Caminho, Verdade e Vida- FranciscoC.Xavier- Emmanuel